Carnaval brasileiro: a nação explode

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Verão no Brasil – inverno no Reino Unido – é temporada de festa e culmina na maior celebração cultural do mundo: o carnaval brasileiro

Existe um ditado no Brasil que diz “o ano só começa depois do Carnaval”. Para os principiantes, o Carnaval brasileiro – como é conhecido internacionalmente – é uma expressão superlativa de uma particularidade cultural.  As festividades demarcam o inicio da quaresma, tradicionalmente falando, a abstinência de carne, como é usual no ocidente no período que precede à Páscoa. A diferença é que naturalmente os brasileiros optam por cinco dias intensos de muitas festas e excessos ao invés de somente evitarem comer carne.

Carnaval brasileiro: a nação explodeOficialmente o Carnaval no Brasil, que é também feriado nacional, cai na terça-feira em fevereiro ou março e sempre contando quarenta dias antes do domingo de páscoa. No entanto, o consenso geral ao longo do tempo – sem dúvida auxiliado por algum lobby diligente – tem sido acelerar as coisas um pouco. A agitação começa geralmente na sexta-feira anterior, se não antes, para incorporar um programa completo de eventos e festivais. Para todos os efeitos, o país para e permanece em repouso das rotinas e normas por cinco dias. Devido às diversas complicações logísticas de voltar a trabalhar na quarta-feira de cinzas – o que muitas vezes requer longas e sóbrias viagens – a maioria dos empregadores autoriza que os funcionários voltem ao trabalho a partir das 13h. Em 2018, o Carnaval vai começar na sexta-feira, 09 de fevereiro e vai até às 13h na quarta-feira, 14 de fevereiro.

Com a normalidade restaurada, as primeiras páginas das mídias internacionais na quarta-feira – desde os tabloides ate os grandes e respeitados jornais – provavelmente publicarão imagens sedutoras de dançarinas escassamente vestidas no desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, que tradicionalmente ocorre na terça-feira à noite. A mais condecorada de todas, que geralmente esta coberta com uma camada grossa de purpurina e mais parecida com um belo pavão é, de fato, a Rainha do Carnaval. Esta figura fantasiada no estilo cabaré se tornou uma referencia e marco da cerimonia brasileira. Os brasileiros são menos do estilo inglês “Deus salve a Rainha” e mais no estilo sem-inibição-com-auto-expressão. E, se fantasiar como um pássaro exótico.

The Brazilian CarnivalDesfile das Escolas de Samba

Os desfiles das escolas de samba são a peça central do Carnaval. Embora existam variações regionais, de estado para estado, o samba tende a ser a música que dá o tom ao Carnaval. Escolas de samba tradicionais, como Mangueira e Deixa Falar, foram fundadas no final da década de 1920, mas somente na década de 1950 que a competição foi instituída. Desde então, o posto de ganhadora tem sido cobiçado, numa acirrada disputa nos principais desfiles das escolas de São Paulo, na segunda-feira, e as do Rio de Janeiro, na terça-feira.

É difícil de entender a magnitude dessa produção. No Rio de Janeiro, por exemplo, existem mais de 100 escolas de samba registradas, das quais apenas 12 compõem o “Grupo Especial”, o que tem maior importância, quase como uma Liga dos Campeões da manifestação e interpretação artística. E há muito para interpretar. Em essência, as escolas de samba têm um tempo estipulado para se apresentar (geralmente entre 70 e 80 minutos), com uma participação máxima de até 4.000 pessoas que podem desfilar no Sambódromo, um nome elegante para uma avenida criada com esse proposito, ladeada por arquibancadas e camarotes. O desempenho da escola é baseado no enredo escolhido, que por sua vez é o que vai inspirar a criação da coreografia e de todos os figurinos e fantasias. À medida que sambistas exuberantes desfilam na pista, uma série de carros alegóricos, cada um contando parte do enredo da escola, arrebata os espectadores nas arquibancadas. Enquanto o desfile pode ser comparado a uma sinfonia de performances, a bateria é a estrela. Ela representa um grupo harmonizado de percussionistas – até 400 – tocando uma variedade de tambores e outros instrumentos de percussão. É chamado de “bateria” pelo seu som eletrizante por ser o coração pulsante do Carnaval.

Os desfiles não são menos energéticos para os espectadores que assistem e julgam sentados confortavelmente em casa; as transmissões feitas ao vivo pela televisão dominam toda a grade de programação. A votação oficial, no entanto, é responsabilidade de um júri experiente, composto por especialistas que analisam critérios específicos pré-estabelecidos, incluindo enredo, figurinos, coreografia, música, para citar apenas alguns. Para o espectador, a escola é um oceano de cor e alegria desenfreada, mas para os juízes, cada passagem do desfile traz um novo aspecto para a votação (veja no box para saber o que deve observar).

BOX

Desfile das Escolas de Samba – o que observar

Comissão de frente – é a primeira a entrar no Sambódromo, um seleto grupo de artistas que apresentam o tema e abrem o desfile.

Carros alegóricos – os carros alegóricos ajudam a contar o enredo, transportam um grande número de artistas e performáticos.

Enredo – cada ano as escolas escolhem um tema ou enredo, que depois será o fio condutor de toda a apresentação da Escola (samba, fantasias etc.).

Samba enredo – o samba enredo é a chave para manter o desfile no tempo certo, criando um desfile fluido e sem interrupções. O samba enredo é julgado pela sua harmonia, letra e vocais.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira – um célebre casal de dançarinos que leva a bandeira da Escola durante todo o desfile.

Bateria – um grupo de percursionistas que dão o ritmo ao desfile. É coração do Carnaval: quanto mais forte você toca, mais intensivamente eles dançam.

Ala das Baianas – ala de mulheres vestidas de baianas, ou seja, as tradicionais senhoras da Bahia.

Velha Guarda – ala dos anciões, a maioria membros de honra da escola ou seus fundadores, geralmente com terno e chapéu de palha no estilo Panamá.

O cantor – o samba enredo depende de um cantor-líder com personalidade, que conta com o suporte de um grupo de cantores de apoio. Ele canta incansavelmente para estar sempre em sintonia com todos os membros da escola, assim como, com a bateria.

O carnavalesco – é o indivíduo ou time de profissionais responsável pelo conjunto, desde fantasias até o desempenho da escola de samba: atua como um diretor de cinema.

Talvez um dos aspectos mais mágicos dessas mega produções é que as escolas reservam uma ala para as pessoas que queiram desfilar. A participação depende do compromisso de ir aos ensaios e de comprar a fantasia, pois, em última instância, já que é o desempenho das pessoas que contribui para a pontuação geral (notas) da escola. Isso se tornou cada vez mais popular entre os turistas que buscam emoção. Aqueles que desejam participar dos desfiles no sambódromo devem entrar em contato com a escola que lhe interessar, com muita antecedência (no mais tardar em dezembro).

Além do Sambódromo

Longe do brilho e do glamour, quem visita o Brasil durante o Carnaval pode participar de festas de rua vibrantes, ou como são conhecidos localmente os blocos de rua. Eles são onipresentes, de fato, e a atmosfera tende a ser mais parecida com a do Carnaval de Notting Hill em Londres: uma autêntica celebração da comunidade local. Eles existem em todas as formas e tamanhos, alguns são mais focados em famílias com crianças pequenas – a inclusão é uma das coisas mais importantes no Carnaval.

As nuances nas festas locais são inevitáveis em um país de dimensões continentais, e mais ao norte, em direção a Salvador, Recife e Fortaleza, existe uma manifestação cultural muito forte também: os trios elétricos. São enormes caminhões que atuam como palcos de concertos móveis nos quais artistas populares se apresentam diante de hordas de fãs insaciáveis por axé.

Cada região tem sua própria representação cultural do Carnaval, algum tipo de adaptação local ou tradição que capta o espírito de seu povo. Certos costumes se transformaram em grandes produções, como os Bonecos de Olinda em Pernambuco: efígies gigantes de figuras famosas (ex-presidentes, celebridades, etc.) que são empurradas para cima e levadas pelas ruas pelo publico festeiro de Olinda. É uma grande brincadeira e inegavelmente única no Brasil e no mundo.

E, talvez, única seja a palavra mais adequada. A semântica não consegue descrever o verdadeiro sentido do Carnaval quando se explica a um estrangeiro, pois pode denotar uma quermesse ou um cerimonial pomposo. No entanto, o Carnaval brasileiro vai muito além do que qualquer expressão pitoresca do costume local. É menos sobre rituais e cerimônias, e mais sobre uma nação extraordinariamente heterogênea que se reúne para dançar junta, estar junta, com uma única missão: deixar a festa rolar.

Então, com tanta oferta no Brasil neste verão, tudo o que resta é começar a planejar sua fuga do inverno europeu. Para saber mais sobre viajar para o Brasil, leia a matéria da VBRATA – Visit Brazil Travel & Cultural Association (Associação Europeia do Trade Turístico e Cultural Especialistas em Brasil).

Para saber mais sobre viajar para o Brasil visite o site www.vbrata.org.uk ou contate seu agente de viagem.

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Sobre o Colunista:

Edwin Freeman

Ed, inglês de 37 anos, vive em São Paulo desde 2008. É escritor, tradutor e especialista em branding internacional. Sendo pai de dois brasileirinhos, Willoughby e Jasper, ele passa grande parte de seu tempo lhes ensinando os méritos do golfe, rúgbi e críquete.

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