Oscar Wilde

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Além de um grande escritor e dramaturgo, Oscar Wilde é lembrado por sua personalidade marcante e por seu relacionamento afetivo o ter levado à prisão

Oscar Wilde foi um dos escritores mais conhecidos da Europa e o mais famoso dramaturgo irlandês. Nascido na metade do século dezenove, Wilde foi o filho de dois intelectuais irlandeses que contribuíram em muitos aspectos para a sua educação exemplar: desde cedo aprendeu idiomas (alemão e francês) e ao entrar na universidade, revelou-se grande estudioso do período clássico, especialmente no tocante à literatura grega.

De personalidade forte e extravagante, rapidamente alcançou fama não só na Irlanda como em toda a Europa, principalmente na capital inglesa, Londres. Considerado já na época um intelectual perspicaz e reflexivo, Wilde trabalhou como professor nos Estados Unidos e no Canadá, publicou um livro de poemas, escreveu como jornalista e batalhou constantemente pelo reconhecimento da arte na sociedade, especialmente no que toca à corrente artística da qual foi o idealizador e um dos principais expoentes, o Esteticismo: a corrente da arte pela arte.

Exímio escritor, seu livro mais conhecido talvez seja O Retrato de Dorian Gray (1891), onde a arte serve de panorama para demonstrar os vícios humanos. Segundo ele, os anos finais da Era Vitoriana foram marcados pela decadência das instituições e costumes tradicionais, o que colaborou para sua incursão na dramaturgia, cujo trabalho mais importante é a peça A Importância de ser Prudente (1895), onde analisa os aspectos fragmentados da moralidade humana com base na sociedade inglesa.

Ainda que casado com Constance Lloyd e pai de dois filhos, existiam boatos sobre sua sexualidade e a turbulência na união fez com que procurasse conforto em relações extraconjugais. Ao conhecer seu amante Lord Alfred Douglas, Wilde entrou em contato com um submundo até então desconhecido do universo gay da época, descoberta que contribuiu para sua queda na sociedade que repudiava as relações homoafetivas.

Após iniciar um processo de calúnia contra o pai de Douglas, o Marquês de Queensberry, Wilde decidiu retirar as acusações por receio das consequências que as provas poderiam causar. Porém, isso foi feito tarde demais e, logo depois do julgamento, as provas irrefutáveis de seu “crime” haviam sido expostas, fazendo com que o próprio Marquês o levasse à justiça, processo que resultou na sua prisão.

Encarcerado por quase dois anos em regime de trabalhos pesados, o escritor teve seu espírito quase totalmente quebrado, principalmente por terem-lhe sido negados os direitos de leitura e escrita. Foi então que refletiu melhor sobre os acontecimentos da sua vida e, ainda no cárcere, conseguiu redigir uma grande carta para Douglas, chamada “De Profundis”. Após ser liberado da prisão, abandonou o Reino Unido e passou o resto de seus dias na França, onde publicou uma última peça e as memórias como prisioneiro. Faleceu no dia 30 de novembro de 1900.

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