{"id":4027,"date":"2016-04-16T12:11:51","date_gmt":"2016-04-16T11:11:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.bbmag.co.uk\/pt-br\/?p=4027"},"modified":"2016-04-16T12:13:41","modified_gmt":"2016-04-16T11:13:41","slug":"starbucks","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.bbmag.co.uk\/pt-br\/starbucks\/","title":{"rendered":"Starbucks, uma marca vencedora no Brasil?"},"content":{"rendered":"<p>O &#8220;caf\u00e9 para viagem&#8221; teve sua explos\u00e3o no final dos anos 1990. O produto em si n\u00e3o era nada demais: uma quantidade generosa de leite integral misturado com uma pequena dose de expresso \u2013\u00a0em suma, um caf\u00e9 com muito leite em um copo de papel\u00e3o. Independentemente da origem ou de passar a mensagem de um ambiente agrad\u00e1vel, permanece, at\u00e9 hoje, um produto relativamente simples. O que o tornou singular foi a experi\u00eancia da marca.<\/p>\n<p>Vivemos em um mundo onde especialistas em branding, ou &#8220;arquitetos de branding&#8221;, criam uma s\u00e9rie de refor\u00e7os para valorizar o contato com o cliente, para atrai-lo e gerar fidelidade. Tudo \u00e9 planejado de forma estrat\u00e9gica para que o resultado seja a sua satisfa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com os standards da marca na m\u00e3o, Starbucks saltou de 90 lojas em NYC para, em pouqu\u00edssimo tempo, dominar o mundo. Antes que voc\u00ea pudesse preparar um bule de ch\u00e1 decente, lojas da Starbucks j\u00e1 tinham surgido por toda Londres. Clientes curiosos foram recebidos por jovens baristas, ansiosos por personalizar sua bebida matinal com efici\u00eancia e o charme de desejar que voc\u00ea \u201ctenha um \u00f3timo dia\u201d. Era como estar no set de <em>Friends<\/em>, o cultuado seriado norte-americano.<\/p>\n<p>Starbucks foi um sucesso imediato, uma mistura vencedora de conveni\u00eancia e civilidade que transformou o habito de tomar caf\u00e9 em uma caracter\u00edstica definitiva da vida urbana do s\u00e9culo 21. Para os amantes de caf\u00e9 ficou dif\u00edcil resistir diante da sedu\u00e7\u00e3o da Starbucks, que agora domina esse disputado mercado. Hoje em dia n\u00e3o se consegue ir muito longe sem que o GPS nos avise: \u201cali tem uma Starbucks\u201d.<\/p>\n<p>No entanto, a Starbucks no Brasil \u00e9 uma proposta curiosa. N\u00e3o se trata s\u00f3 de uma na\u00e7\u00e3o devota ao caf\u00e9; \u00e9 a \u201cmeca mocha\u201d, famosa por produzir talvez a \u201ccr\u00e8me de la cr\u00e8me\u201d do gr\u00e3o sagrado. O caf\u00e9 brasileiro, em todos os sentidos, \u00e9 forte e, portanto, os extravagantes frappachinos e lattes de canela, para os brasileiros, poderiam ser recebidos com ceticismo. Quando viajei ao Brasil, em 2008, me deparei com um confuso e barulhento balc\u00e3o da loja e pedi meu caf\u00e9 &#8220;para viagem&#8221;. Starbucks e eu \u00e9ramos rec\u00e9m-chegados, e eu tinha certeza que ir\u00edamos nos entender com rela\u00e7\u00e3o ao meu pedido, mas n\u00e3o foi assim. Tal multitarefa n\u00e3o deu certo: beber uma bebida quente enquanto estava em movimento, n\u00e3o era s\u00f3 perigoso, mas simplesmente n\u00e3o me deixou degustar com a merecida aten\u00e7\u00e3o o cobi\u00e7ado gr\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 not\u00e1vel a aus\u00eancia de multid\u00f5es segurando o copo branco da marca em S\u00e3o Paulo e a maioria das lojas est\u00e1 escondida dentro de shopping centers. Agora n\u00e3o s\u00f3 preciso de carro para chegar a uma Starbucks, mas tamb\u00e9m preciso pagar o estacionamento. A gama de produtos \u00e9 bem conhecida, mas, naturalmente, adaptada para dar aquele toque local.<\/p>\n<p>O outro desafio que a organiza\u00e7\u00e3o enfrenta \u00e9 o idioma ingl\u00eas. A Starbucks, como uma marca moderna de hospitalidade global, \u00e9 uma isca natural para os turistas. Algumas vezes fui um pouco cruel e fingi n\u00e3o saber falar portugu\u00eas em nome da pesquisa de mercado. Assim, fiz mimicas desajeitadas para pedir meu caf\u00e9 normal, e foi ali que me deparei com o momento mais dif\u00edcil: dar meu nome para o pedido. O que outrora eu considerava um toque de personaliza\u00e7\u00e3o, nesse momento me deixava com os nervos \u00e0 flor da pele. Mas, apesar do meu nome ter somente uma s\u00edlaba e uma vogal, minhas preocupa\u00e7\u00f5es s\u00e3o v\u00e1lidas: j\u00e1 fui publicamente rebatizado de Eder, Esther e Elder pela Starbucks.<\/p>\n<p>Os especialistas em branding do Brasil t\u00eam um trabalh\u00e3o com isso. De acordo com a Forbes Magazine, a Starbucks foi classificada como a 61\u00aa marca mais valiosa do planeta em 2014 ($ 8,7 bilh\u00f5es), mas como todos os projetos de constru\u00e7\u00e3o de uma marca de sucesso, manuten\u00e7\u00e3o e inspe\u00e7\u00e3o s\u00e3o primordiais.<\/p>\n<p>Devo correr, eles est\u00e3o chamando meu nome. Eu acho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O &#8220;caf\u00e9 para viagem&#8221; teve sua explos\u00e3o no final dos anos 1990. O produto em si n\u00e3o era nada demais: uma quantidade generosa de leite integral misturado com uma pequena dose de expresso \u2013\u00a0em suma, um caf\u00e9 com muito leite em um copo de papel\u00e3o. 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