Verão brasileiro: hora de festejar

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Em nenhuma outra nação se comemora como no Brasil, sejam bem-vindos ao irrefreável espírito festeiro do brasileiro.

Verão brasileiro: hora de festejar

Porque os brasileiros são tão festeiros é uma curiosidade cultural. Dizer que são acolhedores, alegres e animados é pouco para traduzir os invejáveis níveis de energia de um povo pronto para gingar assim que ouve uma batucada.

Essa inerente predisposição ao ritmo deixa a maioria dos britânicos acanhados para dançar, mas existe outro elemento inquestionável que alimenta a propensão a festejar: o tempo. O clima no Brasil é agradável quase o ano todo – especialmente se comparado às diferenças de estação com o Reino Unido – e essa energia solar permeia o povo brasileiro.

Enquanto os britânicos são reféns das estações, os brasileiros se lançam no clima do verão, com uma programação extensa de festas, festivais e uma série de atrações tanto para locais quanto para estrangeiros se divertirem.

 Festas de fim de ano ao sol

Como era de se esperar, o verão no Brasil inicia com as comemorações habituais: Natal e Ano Novo.  O país é predominantemente católico, sendo assim, de forma geral adere às festividades tradicionais; presépios, árvores de Natal, amigo secreto, Missa do Galo, tudo o que se refere ao período natalino. Os pratos típicos incluem carne assada, saladas, arroz com passas e farofa, os mais prováveis de serem servidos na ceia de Natal. A maioria dos jogos e brincadeiras se concentra na família, mas depois que o Papai Noel passou pelas casas, todos correm para o litoral para comemorar o Réveillon na praia.

Os brasileiros tem atração pelo mar, como se de alguma forma tudo os levasse para lá, uma espécie de antídoto natural contra os grandes centros urbanos, como São Paulo e Rio de Janeiro. As imensas extensões douradas, espremidas entre a fauna tropical e o mar infinito, fornecem o cenário perfeito para confundir onde termina o Natal e começa o Ano Novo. Os olhos do mundo se voltam principalmente para a praia de Copacabana no Rio de Janeiro, onde cariocas e brasileiros passam o Réveillon – assistindo a queima de fogos e shows de grandes artistas -, mas outras praias brasileiras também fazem bonito no Réveillon.

Depois de se abastecer de espumante e das frivolidades da meia-noite, os habitantes locais se entregam a outro ritual do Ano Novo, o de “pular sete ondas”. Esta tradição também inclui lançar rosas frescas no mar, como dardos errantes, em homenagem à deusa do mar, Iemanjá, na esperança de que ela conceda aos participantes sete desejos (um por cada onda pulada).

Outras excentricidades incluem se vestir de branco – para atrair felicidade – e comer sete sementes de romã para trazer prosperidade econômica. As contas adicionais a serem pagas em janeiro após as festividades de final de ano com certeza questionam esta superstição, mas de qualquer forma, isto é bem diferente de ficar em casa assistindo na televisão a retrospectiva do ano e aos programas natalinos.

Enquanto janeiro deixa o Reino Unido contrito e em abstinência, os brasileiros se jogam no sol do verão. É oficialmente uma “estação divertida” no Brasil – que se compara ao mês de agosto no Reino Unido – quando se protela tudo e se anseia pelas férias, o que acaba com a produtividade. De qualquer forma, a inatividade dura pouco já que a verdadeira festa ainda está por vir.

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Sobre o Colunista:

Edwin Freeman

Ed, inglês de 37 anos, vive em São Paulo desde 2008. É escritor, tradutor e especialista em branding internacional. Sendo pai de dois brasileirinhos, Willoughby e Jasper, ele passa grande parte de seu tempo lhes ensinando os méritos do golfe, rúgbi e críquete.

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