LGBTQ+

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Com opiniões pró e contra, a sigla original LGBT tem, a cada dia, mais letras adicionadas. Entenda o porquê

 

A originalmente simples sigla LGBT vem causando discussões acaloradas pela inserção de inúmeras outras letras, na tentativa de alcançar mais pessoas e seus gêneros na luta proposta pelo movimento de inclusão em todos os níveis e, ao mesmo tempo, segmentando sua representatividade.
No Reino Unido, ativistas propõem ainda adicionar a letra K, de Kink (pessoa que se excita sexualmente com formas ou objetos incomuns), o que gerou muita discussão na comunidade LGBT, que, na sua maioria, se opõe a um “alfabeto inteiro como sigla”, por acreditar que seja improdutivo e que pode, inclusive, afastar ainda mais as pessoas do seu movimento LGBT. O tema foi comentado pela revista The Gay UK, que explicou o aumento da sigla como sendo “uma necessidade de se afastar da comunidade gay limitante e englobar qualquer comunidade que se defi na como qualquer coisa menos heterossexual ou cisgênero”.
A sigla já cresceu bastante e, atualmente, a mais amplamente usada é LGBTQIAP+ (Lésbicas, Gays, Bi, Trans, Queer/Questionando, Intersexo, Assexuais/Arromântiques/Agênero, Pan/Poli, e mais…).
As letras da sigla são pouco conhecidas por quem não acompanha de perto os movimentos de representatividade, então, que tal entender exatamente o significado de cada letrinha?

L — Lésbicas: são sempre mulheres, ou pessoas não-binárias que se alinham com o gênero feminino de alguma forma e que sentem atração pelo mesmo gênero.
G — Gays: gays historicamente eram homens, mas atualmente é também aceito que mulheres ou pessoas não binárias utilizem a palavra gay para se identifi carem como pessoas que sentem atração pelo mesmo gênero.
B — Bisexuais: pessoas que sentem atração por dois ou mais gêneros.
T — Trans: pessoas cujo gênero designado ao nascimento é diferente do gênero que possuem. Mesmo assim, nem todas as pessoas que se encaixam nesta defi nição se identifi cam como trans; como é o caso de certas travestis, de pessoas não-binárias e de pessoas que não vivem em culturas onde só existem dois gêneros.
Q — Queer: algumas pessoas defi nem seu gênero como queer, ou como genderqueer (“gênero queer”), por não quererem/saberem definir além de “nem homem, nem mulher”, ou por desafiarem as normas de ser homem ou mulher. No entanto, como queer é uma palavra que foi e ainda é usada com conotação pejorativa, pode deixar pessoas desconfortáveis. Além disso, o termo é vago, o que faz com que fi que fácil excluir pessoas intersexuais, assexuais e arromânticas da comunidade.
Q — Questionando-se: a pessoa não sabe qual é sua identidade ou pode estar questionando sobre alguma(s) identidade(s) específi ca(s): uma mulher pode estar questionando entre bi e lésbica, enquanto outra pessoa diz que está questionando ser bi porque não tem certeza se é, mas é a única coisa que parece encaixar no momento.
I — Intersexuais: pessoas que, congenitamente, não se encaixam no binário conhecido como sexo feminino e sexo masculino, em questões de hormônios, genitais, cromossomos, e/ou outras características biológicas.
A — Assexuais: pessoas que nunca, ou que raramente, sentem atração sexual.
A — Arromânticas: pessoas que nunca, ou que raramente, se apaixonam. O A na sigla inclui, ainda, todas as orientações do espectro assexual e as do espectro arromântico, que incluem o quoissexual (alguém para quem o conceito de atração sexual não faz sentido) e o akoirromântique (alguém que não consegue continuar apaixonado uma vez que a outra pessoa também está apaixonada pela pessoa akoirromântica).
A — Agênero: pessoas que não possuem gênero.
P — Panssexuais: sentem atração por todos os gêneros.
P — Polissexuais: sentem atração por muitos gêneros (não confundir com poliamor, que é ter mais de um parceiro em um relacionamento sério).
+ — O + é para pessoas não-cis (que não se consideram trans) e por todas as outras orientações que não são hétero, como as pessoas cetero (não binárias que só sentem atração por outras pessoas não binárias), pessoas omni (as que sentem atração por todos os gêneros — algumas pessoas se dizem omni e pan; outras utilizam omni para evitar a conotação de “atração independentemente de gênero”), e pessoas abro (com atração que muda constantemente, uma pessoa abrossexual pode ser gay em alguns momentos, assexual em outros,
e pansexual em outros). E já que existem múltiplas possibilidades de orientações, não seria nada prático incluir cada uma na sigla.
Mesmo assim, dependendo do grupo ou da pessoa, é possível que retirem algumas letras, ou que adicionem outras, como N de não binário, O de omni e/ou D de demi.

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Sobre o Colunista:

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